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Conheça a história do Jiu-Jitsu brasileiro

A história do Jiu-Jitsu Brasileiro está diretamente ligada à popularidade do MMA nos últimos anos. Há mais de um século, os membros da Família Gracie desenvolveram a arte suave e provaram o seu valor, disseminando a luta por outras modalidades.

O Jiu-Jitsu não começou por aqui — ele foi trazido pelos japoneses—, mas foram os brasileiros que moldaram a luta na forma como conhecemos. O termo japonês significa “suavidade”, enquanto jutsu diz respeito à “arte”, “técnica”. Por isso, o Jiu-Jitsu é considerado uma luta de arte suave.

Se, hoje, esse esporte não recebe a mesma atenção do futebol na mídia, saiba que os lutadores já tiveram espaço no horário nobre da televisão no passado. Essa é apenas uma pequena parte da história do Jiu-Jitsu Brasileiro. Fique conosco e confira outros marcos importantes da luta por aqui!

Qual é a origem do Jiu-Jitsu?

É difícil datar exatamente o nascimento dessa arte marcial. Alguns acreditam que ela começou na Índia, há 2.500 anos, mas foi nas escolas de samurais japonesas que ela se desenvolveu, com o nome de jujutsu (arte suave). Essa prática era conhecida por não utilizar armas e ser aplicada em situações de combate e batalhas. As torções e quedas eram o artifício mais eficaz para atacar samurais que vestiam armaduras.

Em 1882, Jigoro Kano, que era praticante da arte marcial, abriu a academia Kodokan, com o objetivo de modernizar o jujutsu praticado no Japão. O seu desenvolvimento deu origem ao judô, que significa “caminho suave” e, apesar de manter a luta de chão, prioriza as quedas e as imobilizações, além de ser voltada para a competição.

Como o Jiu-Jitsu chegou ao Brasil?

A arte suave desembarcou no Brasil no início do século XX, junto com a Imigração Japonesa. Mitsuyo Maeda partiu em 1904 com o objetivo de visitar diversos países e disseminar a arte marcial entre lutadores de outros estilos. No Brasil, ele foi recebido por Gastão Gracie.

O empresário brasileiro era dono de negócios variados, como um circo que apresentava espetáculos de dança e combates. Foi nessa oportunidade que Conde Koma, como o japonês era conhecido, ganhou fama por derrotar adversários mais altos e pesados utilizando as suas técnicas de luta.

Campeão no Japão, Maeda fez um acordo com Gastão: ensinar o seu filho mais velho, Carlos, as técnicas do jujutsu, em troca da ajuda recebida para permanecer no Brasil. Esse encontro manteve acesa a chama da arte milenar e o jovem Gracie, que ficou impressionado com a arte marcial, empenhou-se para aprender as suas técnicas.

Nos anos seguintes, Conde Koma decidiu voltar para o Japão e pediu perdão ao seu antigo mestre, Jigoro Kano, mas a semente estava plantada no outro lado da Terra. Por ser ligeiro, Carlos viu, no Jiu-Jitsu, a possibilidade de derrotar oponentes maiores e abriu a primeira academia do esporte no país, em 1925, no Rio de Janeiro.

O irmão mais novo, Hélio Gracie, era impedido de treinar porque tinha problemas físicos quando criança. Porém, ele acompanhava as atividades na academia e, dessa forma, aprendeu todos os movimentos. A maioria dos golpes utilizados já existia nos livros japoneses, mas ele implementou os princípios da alavanca, o que deu origem ao Jiu-Jitsu Brasileiro. A partir disso, começou a ser desenvolvido o Jiu-Jitsu Brasileiro, com características únicas.

Como foi a popularização do Jiu-Jitsu no país?

Os desafios foram a forma que a Família Gracie encontrou para provar a superioridade da sua arte marcial. Outras lutas, como o boxe e a capoeira, tinha mais praticantes no país e, para conseguir alunos, os professores criavam anúncios nos jornais com propostas de combates.

O surgimento do Gracie Challenge é apontado como o embrião do MMA, no qual atletas de diferentes artes marciais se enfrentam nos ringues e octógonos. Carlos foi o primeiro a representar a família nos desafios, mas coube a Hélio Gracie ser o maior responsável pela popularidade do Jiu-Jitsu.

Em 1932, com apenas 19 anos, Hélio disputou a sua primeira luta de vale-tudo, contra o boxeador Antônio Portugal, e venceu em 40 segundos. Porém, foi em novembro daquele ano que o Jiu-Jitsu apareceu nos jornais e a lenda da Família Gracie nasceu. O confronto era contra o wrestler Fred Ebert, dos Estados Unidos.

Com 98 quilos (35 a mais do que o brasileiro), ele estava no país para algumas lutas de exibição. O combate durou 1h40 e só foi interrompido pela polícia, que temeu o pior. Mesmo não vencendo, Hélio aproveitou o desconhecimento de luta de chão do americano e foi superior — o suficiente para ser aclamado pelo público.

Hélio enfrentou outros oponentes e venceu ou empatou 15 das 17 lutas disputadas. O esporte ganhou fama no país e um programa na televisão em 1959, o Heróis do Ringue, que passava na TV Continental. As lutas dos discípulos de Carlos e Hélio, como Carlson Gracie e João Alberto Barreto, eram transmitidas em horário nobre.

A “profissionalização” do vale-tudo ocorreu na década de 1980, quando os desafios entre as artes marciais eram disputados em ginásios ou estádios. Na prática, a equipe do Jiu-Jitsu enfrentava uma equipe diversa, com atletas de luta-livre e muay thai. Em 1991, a Rede Globo transmitiu uma dessas competições.

Nos dias de hoje a modalidade esportiva é disputado com kimono ou sem kimono “No Gi” e possui diversas regras para preservar a integridade física do atleta.

Qual é a relação entre o Jiu-Jitsu Brasileiro e o UFC?

Os desafios da Família Gracie transformaram os seus membros em celebridades no Brasil. O próximo passo era conquistar o mundo. Foi com esse objetivo que Rorion, o filho mais velho de Hélio, embarcou para os Estados Unidos, em 1978. A forma de apresentar o esporte era a mesma: marketing e desafios.

Depois de criar a primeira academia na América do Norte e se estabelecer por lá, Rorion participou da criação da primeira edição do Ultimate Fighting Championship (UFC), ao lado de Art Davie. A ideia era escalar oito atletas de estilos diferentes em um torneio realizado na mesma noite.

O representante do clã foi Royce Gracie, que era mais franzino do que Rickson (seu irmão e maior expoente da família na época). A sua participação seria a prova de que, com o Jiu-Jitsu, o mais fraco poderia vencer o mais forte, o que aconteceu. Em novembro de 1993, ele venceu três lutas e foi o primeiro campeão do UFC.

Invicto em 12 lutas e com três títulos, Royce Gracie foi a primeira lenda do MMA e abriu as portas para outras figuras conhecidas, como Anderson Silva, José Aldo e Vitor Belfort. Em 2001, o UFC foi vendido e, atualmente, é uma das companhias esportivas mais relevantes do mundo — e por influência do Jiu-Jitsu.

A história do Jiu-Jitsu Brasileiro está diretamente ligada com o crescimento do MMA no mundo. Os brasileiros acompanham os seus ídolos nos sábados à noite, pela televisão, porque a Família Gracie desenvolveu uma arte marcial que poderia vencer qualquer outra e fez de tudo para provar isso. Hoje, há milhões de praticantes no mundo.

E aí, gostou de conhecer a história do Jiu-Jitsu? Se você ficou interessado em saber mais sobre os Gracie, confira os 12 mandamentos de Carlos no Jiu-Jitsu e na vida!

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